Home Data de criação : 07/07/20 Última atualização : 11/10/19 13:45 / 11 Artigos publicados

João  escrito em terça 09 outubro 2007 12:35

Sou uma borboleta

borboleteando o ar

Faço traços no espaço

procuro um pedaço do tempo para alcançar.

 

Alcançar esta alegria que invade teu coração

Colorir os espaços em branco

da tua vida

da minha vida

 

Sou um vaga-lume

vagadeando o ar

Buscando os espaços em escuros

para você iluminar

 

Iluminar tua estrada

tua alma perdida

Eu iluminada

Nós... Pisca-pisca

Você... pisca-alerta.

(Luzia)

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Direitos e deveres  escrito em quarta 12 setembro 2007 17:39

Bêbados

e funcionários públicos

amam

com burocracia

ou tontêz

Loucos

e matemáticos se perdem

num sonho

ou numa exatidão

(poética)

Amantes

amores se confundem

se fundem em mesmo ser

Eu e outros

perdidos sábios ao canto

destino que não me sabe

E o que resta

é pedir:

outra dose

outras vida

outra vez

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Das vantagens de ser bobo  escrito em terça 11 setembro 2007 11:37

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntando por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando".

 

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamnte lhe vem a idéia.

 

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se decontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes o bobo é um Dostoievski.

 

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resualtado: não funciona. Chamando um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

 

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

 

Bobo não reclama. Em compesação, como exclama!

 

Osbobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

 

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passa por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensaçãoos bobos ganham a vida. Bem-evanturados os bobos porque sabem se que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles saibem.

 

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, faciliat ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

 

Bobo é Chagall,que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quese impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o Bobo.

 

(Clarice Lispector)

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Pedro grita ao medo  escrito em sábado 08 setembro 2007 19:16

- Qual é o segredo agora, Pedro? fale:

É triste constatar que "os grandes amores são os desncontrados, que não têm oportunidade de se gastar", os amores acovardados. As pessoas com sua gana de entendimento não vivem o incompreensível, o inaudito. Sabe, eu queria incubar todo o fraco sentimento e fertilizá-lo para que todo o amor pudesse acordar os vizinhos. Mas muitos silenciam suas loucuras, seus prazeres. Me entristece o medo, a desconfiança. Para quê pensar em planos, projeções, segurança. Os irresponsáveis amam irresponsavelmente à vontade, invejando os fracos. Quem guarda o amor se perde em imemoriais possibilidades não vividas, nada espera! Eu não tenho nada para esperar, e tenho tudo agora, ao alcance do meu desejo. Nunca arendi com o que  não vivi, e não olho para os exemplos fracassados dos outros. É, para muitos, bem fácil admirar a experiência alheia, é bem fácil aplaudir a poesia dos errantes sem sentir a dor que lhes custam suas palavras. Eu não entendo nada, ela acha que entende tudo. Entre nós tem um vão de incertezas, e isso pra mim é lindo, é o incompreensível estendendo os braços, para ela é o incontrolável que lhe perturba. Ela não sabe, como muitos não sabem, viver o desconhecido. Para quê entender se basta sentir? Me confrange o peito a trágica poesia que ela barra ao peito. Se eu não posso lhe dar o mundo, eu crio, invento um fantastico mundo, mas ela recusa por não conseguir pôr a mão. Eu me rendo ao gosto e cheiro dela que me gruda ao museu das lembranças, me embriago com toda a perdição, me transformo em Sim, ela diz Não, e o que há de incontrolável em nós teima em comungar um desejo. Se não posso amá-la, deixarei ao largo, para não aprender com ela a virtude dos temerários. Todos os santos, bêbados, putas e vadias, ignotos e crianças que há em nós se querem, mas tudo é censurado e incontrolável. Como uma canção ininteligível que nos toca eu vou, vago e soberbo. Em entregações de mim ela me ordena, me vou sem querer, e fico sem poder. Não quero engrossar as fileiras dos infelizes junto a ela, quero furar a fila e levá-la. Quem perde mais, os que erram ou os protegidos à vida? Viver é uma aventura humana, cheia de abismos e sodalícios. Muitos covardes estão sãos, inteiros, intactos, mas os aventureiros à beira dos destroços podem contar histórias fantásticas que lhes custaram arrombos na alma. Por enquanto sigo por aí, sem caminho certo, se queres vir venha, ou fique, seu belo e seguro caminho pode ser curto. Vou ao infinito das perdições, e como bom perdido que sou, podes não me encontrar quando, enfim, resolveres me seguir. As portas continuam abertas, mas mudam de lugar. Eu guardo-te uma poesia, se te encontrar pelo caminho entregarei-a, se não, ela já foi feita, e como muitas poesias, ela é só uma explosão palavriada de uma angústia, uma dor que se fez bela.

O que conversaram, Pedro?

- Olá, como vai?

- Por aqui

- Vou indo, há muitos "por aís"...

Vens que ainda é tempo de felizes bobagens. 

 

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O que pude ouvir e o que fiz a partir do que ouvi neste fim de semana:  escrito em domingo 26 agosto 2007 20:05

"Reunião pra muitos é pra poucos, fico feliz pelos faltosos"

(Ricardo Filhote e Beto cavalcante)

Aquele homem era tão apegado à família, que seu ente mais querido era o cachorro

(JH)

Os grande amores são os desencontrados. Não têm oportunidade de se gastar

(JH)

"Não tenho nada, só me resta a vida"

(JH e Elaine Perna)

 

A boa morte é o resultado de uma vida arriscada, e não à risca do bom viver.

(JH)

"Em qualquer regime sonhar é revolucionário"

"Meu amigo é o que mija junto"

"Casamento - a arte de compartilhar defeito"

(Mario Lima, se não me engano)

 

Cuba libre tem gosto de adolescência

(JH)

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